Medicamentos X Álcool: Cardiologista Marcelo Raddo explica os riscos dessa mistura à saúde  

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Médico destacou os efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer ao misturar alguns medicamentos com bebidas alcoólicas

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Mas, será que posso tomar minha cervejinha mesmo tomando remédios? Talvez essa seja uma das perguntas mais comuns nos consultórios médicos e não é diferente na clínica do cardiologista Marcelo Raddo, que, em entrevista ao www.minhasaojose.com.br explicou os riscos dessa mistura com alguns dos medicamentos mais comuns para tratamento das principais doenças que acometem os pacientes.

“Quando ouço a pergunta acima, estabelece-se um dilema, quase um conflito entre as partes. Afinal, podemos conciliar o consumo de álcool com uso de medicamentos sem que haja riscos? Na verdade não há uma delimitação de quantidades seguras para o consumo de bebidas alcoólicas juntamente com remédios. Isto porque, a depender da medicação, do estado de saúde e de características  genéticas da pessoa, pode haver maior ou menor grau de interações entre as substâncias levando ao aparecimento de efeitos colaterais indesejáveis”, explicou o cardiologista.

Dr. Marcelo explicou que isto ocorre porque o álcool, como muitas outras substâncias, é metabolizado no fígado por proteínas especiais chamadas enzimas. “E justamente essa interação do álcool com as enzimas pode  fazer com que as moléculas contidas nos medicamentos não sejam “processadas” adequadamente podendo potencializar o efeito do remédio ou seu tempo de permanência no organismo. Em algumas situações o contrário pode ocorrer, fazendo com que a medicação perca seu efeito biológico”.

E o médico também alertou que, em alguns casos extremos, podem ocorrer efeitos colaterais muito graves, inclusive podendo levar a pessoa à morte.

“Oriento sempre que o paciente pode e deve discutir com seu médico sobre o padrão de consumo de álcool e sobre os riscos da ingestão junto com medicamentos. Lembre-se: o médico está ali para ajudar e não para julgar o paciente”.

Algumas dicas que Dr. Marcelo sempre passa aos seus pacientes é evitar a ingestão de bebidas alcoólicas quando estiver necessitando de antibiótico. “A prioridade deve ser o controle da infecção e no geral o tempo de tratamento não é prolongado. Modere o consumo de bebidas alcóolicas se você faz uso de medicações de uso contínuo. E não se esqueça: Consulte seu médico de confiança em caso de dúvidas ou qualquer sintoma diferente do habitual”, orientou.

ABAIXO, CONFIRA ALGUMAS DAS INTERAÇÕES MAIS COMUNS NO DIA-A-DIA E OS EFEITOS COLATERAIS OBSERVADOS JUNTO À INGESTÃO DE BEBIDAS ALCOÓLICAS

Remédios para pressão: dores de cabeça, tonturas, sensação de aceleração do coração. 

Antidepressivos: pode aumentar o efeito sedativo causando sonolência e perda do efeito do remédio. 

Calmantes (ansiolíticos): aumento do potencial de sedação e em casos extremos comprometimento grave da respiração e coma. 

Antibióticos: náuseas, vômitos, dores de cabeça, formigamentos ,vermelhidão na pele e piora da infecção pela perda do efeito do remédio. 

Remédios para diabetes: oscilações na glicemia e perda do controle da doença. 

Analgésicos: aumento dos efeitos do álcool no organismo e risco de inflamação do fígado (hepatite medicamentosa).

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