Karina Maida: Dez anos de experiência e dedicação na Fisioterapia à Saúde da Mulher

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Aos 33 anos, ela também aliou as vivências na maternidade ao trabalho junto às pacientes e conciliou os atendimentos clínicos à docência

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Por trás do rosto jovem de uma mulher de 33 anos está a experiência de 10 anos na Fisioterapia. Uma década dedicada a muitos estudos e pesquisas, que a levaram muito além das técnicas e exercícios que ajudam suas pacientes a recuperarem saúde e auto-estima, mas à sala de aula universitária, onde divide seu amplo conhecimento com centenas de alunos.

Nossa matéria especial de hoje destaca a carreira profissional e também um pouquinho da vida pessoal de Karina Delgado Maida Uchiyama, que a partir deste mês também passará a colaborar com o www.minhasaojose.com.br na área de Fisioterapia, abordando assuntos de interesse, principalmente voltados às mulheres.

Durante a entrevista, Karina contou os motivos que a levaram cursar Fisioterapia, os caminhos para o mestrado e doutorado, além de momentos que marcaram esses seus 10 anos de profissão.

A fisioterapeuta também dividiu com a reportagem um período muito especial o qual está vivenciando, a maternidade, sendo que até mesmo sua experiência no parto, que optou pelo ‘normal’, ampliou seu conhecimento e aplicação de técnicas às suas pacientes.

Karina presta atendimento em sua clínica, a Benessere, diretamente com a Fisioterapia na Saúde da Mulher, além de também ter como uma de suas especialidades profissionais a sexologia, que auxilia no trato às gestantes e disfunções urinárias e sexuais, também assistidas pela fisioterapeuta.

“Trabalhar nestas áreas da fisioterapia é gratificante, mas confesso que fui um pouco influenciada por uma pessoa muito especial em minha vida para realmente dedicar-me à saúde feminina na fisioterapia”, disse.

Curiosos para saber quem é essa pessoa? Confiram, na entrevista abaixo, além de conhecerem um pouco mais sobre nossa fisioterapeuta.

Natália Tiezzi: Karina, o que a levou a optar pela Fisioterapia?

Karina Delgado Maida Uchiyama: Na verdade, aos 17 anos, quando prestei o vestibular, a única coisa que queria era uma profissão que pudesse aliar assistência em saúde e passar conhecimento por meio deste aprendizado que teria na vida acadêmica. E foi na Fisioterapia que encontrei isso. Através dela pude ser independente e ter meu próprio negócio e também desempenhar as funções de professora, que tanto amo.

Em que instituição estudou e quais as suas especializações?

Ingressei no curso em 2006 na USP de Ribeirão Preto. Após termina-lo ingressei no Doutorado Direto na própria instituição, em Ciências e Reabilitação Cardiovascular. Em seguida, obtive o título de especialista em Fisioterapia Cardiovascular pela Associação Brasileira de Fisioterapia Cardiorrespiratória e em Terapia Intensiva. Também me especializei em Gestão de Negócios (Barão de Mauá) e Gestão Hospitalar (Uniara).

Após, me especializei em Fisioterapia na Saúde da Mulher pelo Instituto Paulista e em Sexologia pela Uniara.

Qual foi seu primeiro emprego na área?

Foi em 2011, em uma clínica de Ribeirão, onde aprendi que a qualidade no atendimento e serviços prestados é mais válida do que a quantidade de pacientes atendidos.

Em meio a tantos caminhos na Fisioterapia, por que escolheu trabalhar com a Saúde da Mulher?

Confesso que fui um pouco influenciada pelo meu marido, o Marcel, que é ginecologista. Comecei a notar que não havia tantos profissionais da fisioterapia que se dedicassem à essa área, principalmente aqui em São José, onde, embora eu nunca imaginei que ia voltar, realmente me encontrei profissionalmente.

Ser professora também era um sonho? Onde você ministra aulas atualmente?

Sim, sempre almejei a carreira de docente. O mestrado e o doutorado foram caminhos que percorri para chegar à docência em uma instituição pública, mas como os concursos estavam demorando muito a acontecer abracei uma oportunidade que surgiu aqui em São José, quando a UNIP me convidou para ministrar aulas. Atualmente ministro aulas nos cursos de Fisioterapia, Farmácia e Biomedicina.

Quando voltou a São José, você já abriu sua própria clínica?

Não. Primeiramente trabalhei por um tempo em uma outra clínica de fisioterapia, dava aulas na UNIP à noite e também conquistei um emprego na Nestlé para análise ergonômica e ginástica laboral. Foi então que percebi que eu poderia ter minha própria clínica também para prestar estes atendimentos na multinacional, que estava abrindo nova licitação para contrato. E assim aconteceu a Benessere na minha vida, que atualmente conta não apenas comigo, mas com uma completa equipe de profissionais.

A fisioterapeuta se especializou na Fisioterapia voltada à saúde da mulher e trata desde gestantes a casos de incontinência urinária e disfunções sexuais

Como é este trabalho de fisioterapia voltado às mulheres?

Desempenho trabalhos junto às gestantes como preparação para o parto normal ou cesariana, além do pós parto, principalmente no tocante à recuperação, amamentação e aquela famosa ‘volta do corpo ao normal pós gestação’. Também trabalho com problemas de incontinência urinária e fecal, além das disfunções sexuais (dores na relação sexual e falta de desejo). Tudo isso utilizando técnicas, exercícios e aparelhos que fazem parte da Fisioterapia, aliado à sexologia, pois, muitas vezes, o paciente também precisa conversar, expor o que está acontecendo com sua mente e com seu corpo para que, enquanto fisioterapeuta, o auxilie com o tratamento mais indicado. Neste ínterim, atendo pacientes conveniados e particulares.

Atualmente, qual a faixa etária de mulheres que mais te procura para tratamento na clínica?

Além de gestantes de todas as idades, para dizer a verdade são as mulheres mais jovens. Muitas já sofrem de incontinência urinária e possuem alguma disfunção sexual. O dia-a-dia mais agitado da mulher têm contribuído para aumento do estresse, o que pode ser refletido na vida sexual. E agora, nestes tempos de isolamento social, esse estresse tende a aumentar! A boa notícia é que as mulheres não estão tão inibidas na hora de procurar ajuda para essas questões que envolvem a incontinência e a disfunção sexual. Antes, elas esperavam a indicação de um médico, procedimento que ainda ocorre, mas hoje percebo que elas mesmas tomam a decisão de procurar um tratamento.

Vamos falar de momentos marcantes? Ao longo destes 10 anos de profissão, poderia citar alguns?

Tenho muitos, mas vou mencionar quatro que realmente me marcaram enquanto fisioterapeuta. O primeiro aconteceu na clínica onde eu trabalhava em Ribeirão. Conheci um senhor que praticamente me ‘adotou’. Criamos uma relação de amizade muito forte entre paciente e profissional. Marcel e eu jantávamos na casa dele! Porém, percebi que fazia um tempinho que ele não aparecia na clínica e soube que havia falecido. Como profissional me senti feliz em ter proporcionado momentos de amizade praticamente no final de sua vida, pois ele era uma pessoa muito sozinha. E essa amizade perdurou, pois até hoje converso com familiares dele. O segundo momento foi a defesa de minha tese de doutorado, pois marcou o fechamento de um ciclo e a abertura de outro. O terceiro foi a descoberta da doença em uma paciente que já havia passado por muitos profissionais e ninguém descobria o que ela tinha. Percebi que ela estava sofrendo de miastenia e já encaminhei a um neurologista. Hoje, quando a vejo pelas ruas, ainda me emociono em saber que contribui para melhorar sua qualidade de vida. Por fim, o quarto, foi com uma paciente que possuía uma disfunção sexual. Ela era casada há 8 anos, mas não mantinha relações sexuais com o marido, pois sentia muitos incômodos e dores. Após passar pelo tratamento, ela conseguiu ter uma vida sexual plena e até engravidou!

Você é mãe há seis meses. A experiência da maternidade te ajudou na profissão?

Posso dizer que através da experiência do meu próprio parto vivenciei práticas e técnicas e pude ampliar meus conhecimentos. Essa prática que tive com o parto normal me ajuda muito com as pacientes, pois posso contar toda essa experiência que realmente vivi para cada uma delas.

Para finalizar, o que a Fisioterapia significa em sua vida?

Acho que significa exatamente vida! É gratificante saber que posso contribuir com a melhora na qualidade de vida de meus pacientes, elevando até mesmo sua auto-estima, orientando, incentivando-os em cada tratamento, exercício. Graças a Deus também consegui conciliar os atendimentos clínicos com a docência, onde tenho a oportunidade de dividir conhecimento com meus alunos. Enfim, acho que ser fisioterapeuta é isso: auxiliar, acreditar e tocar, além do corpo, a alma dos pacientes, principalmente ouvindo, acreditando e fazendo a diferença na vida de cada um deles.

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