Introdução alimentar em bebês: mamães tirem suas dúvidas!

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A pediatra neonatologista Letícia Andreghetto destacou que alimentos somente depois que a criança completar 6 meses

Reportagem e texto: Natália Tiezzi Manetta

Seis meses. Período crucial para as mães, pois é neste momento que se inicia a introdução alimentar nos bebês. Mas, que alimentos oferecer? Será que ele realmente já pode comer? Será que ele está se alimentando adequadamente? Será que comeu o suficiente? São inúmeros ‘serás’ e para esclarecer algumas dessas dúvidas, a reportagem entrevistou a pediatra neonatologista Letícia Andreghetto, que, entre outros pontos, destacou a importância da avaliação no bebês para saber se ele realmente está apto à introdução alimentar, bem como os principais tipos de alimentos e como devem ser oferecidos e os perigos do açúcar introduzido precocemente na alimentação das crianças. Confira a entrevista completa abaixo.

Natália Tiezzi Manetta: Dra. Letícia, qual a idade correta para a introdução alimentar em bebês.

Dra. Letícia Andreghetto: A partir dos seis meses. Antes disso somente leite materno ou fórmula. Nada de oferecer chás, sucos ou água à criança.

É preciso avaliar se o bebê está apto à alimentação?

Sim. Isso é importantíssimo. Somente o pediatra poderá avalia-lo. Geralmente essa avaliação é realizada observando se o bebê já sabe sentar sem apoio, a sustentação da cabeça e se ele demonstra o mínimo interesse pelo alimento, como pegar, levar à boca, etc. Também é avaliada a protrusão da língua do bebê. Em bebês prematuros, por exemplo, o tempo para a introdução alimentar é diferente do bebê não prematuro.

Que tipos de alimentos pode-se oferecer à criança nesta fase?

Alimentos da natureza como frutas, verduras, ovos, legumes, grãos, sendo sempre um alimento de cada grupo alimentar, como uma proteína (carnes que podem ser de frango, boi, peixe ou porco), carboidratos, enfim, uma alimentação com todos os tipos de nutrientes.

Qual a melhor forma de oferece-los aos bebês?

Sempre cozidos e amassados, nunca liquidificados ou passados por peneiras. O bebê precisa sentir o alimento e pode até manusea-lo para levar até a boca. A disposição no prato também é muito importante: as porções devem estar separadas e com alimentos bem coloridos para chamar a atenção das crianças.

O que fazer quando o bebê não quer comer?

As mamães precisam entender que no início os bebês terão uma certa resistência à alimentação e isso é natural. Tudo é muito novo para eles: cores, sabores, texturas, enfim. É importante também que entendam que a criança vai comer pouco mesmo. Nesta fase é necessário muita paciência, pois conforme vão crescendo, as crianças já começam a demonstrar mais interesse por determinados tipos de alimentos, facilitando a alimentação.

Nesta fase, o alimento é a principal fonte de nutrientes do bebê?

Não. E isso é outra coisa que as mamães devem estar cientes. O leite materno ou a fórmula é a principal fonte de nutrientes e energia para o bebê até os 12 meses. Portanto, a introdução alimentar deve ser feita de forma prazerosa, sem forçar a criança a comer. Aos poucos ela vai se adaptar e, enfim, se alimentar adequadamente.

Quantas refeições o bebê deve fazer por dia?

Café da manhã, almoço, lanche da tarde e jantar. É importante que a família estabeleça uma rotina para as refeições e que todos sentem à mesa para fazê-las, sempre com o bebê presente para que observe o exemplo dos pais, irmãos, inclusive o tipo de alimentação da família, que também deve ser a mais saudável possível. Lembrando que as mamadas não são contadas no número de refeições, principalmente se a criança mama no peito. A amamentação continua livre demanda mesmo após a introdução alimentar. O bebê pode continuar mamando sempre que solicitar: antes, durante e após as refeições.

Quais tipos de tempero podem ser usados no preparo das refeições do bebê?

Temperos naturais e frescos: salsinha, cebolinha, alho, cebola, mas nada de sal. O sal pode ser introduzido na alimentação após o bebê completar 1 ano.

E o açúcar? A partir de qual idade ele está liberado?

Açúcar é um grande vilão em qualquer fase da vida, principalmente na infância. Da gestação até os dois anos deve-se evita-lo. As gestantes devem diminui-lo para não correr o risco de desenvolver uma diabetes gestacional ou mesmo influenciar no paladar do bebê durante a gestação. O açúcar é o grande responsável pelas altas taxas de obesidade infantil no mundo, o que pode acarretar outras doenças como a hipertensão, o diabetes, enfim, por isso é tão importante que as mamães sejam firmes e ofereçam doces somente após os 2 anos e com muito bom senso. É claro que uma criança de 24 meses já começa a saber escolher o que gosta de comer, mas ninguém sente falta de um alimento ou sabor que não conhece. E também não adianta não oferecer açúcar à criança e o restante da família comer doce sem parar. A mudança de hábito é fundamental não apenas para a saúde do bebê, mas para toda a família. Com o açúcar funciona assim: menos será sempre mais: mais saúde e menos doenças.

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