Ela escolheu um lugar inusitado para fazer intercâmbio: A África do Sul

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Jovem, apenas 14 aninhos, filha única e nunca havia saído de casa sem os pais, mas, ao ver um cartaz na escola e que estuda Inglês se apaixonou por um destino pouco escolhido para se fazer um intercâmbio: a África do Sul.

Apresentamos a vocês, amigos internautas, a Rafaela Braga Rosolem, ou simplesmente ‘Rafa’, que contou um pouco dessa experiência enriquecedora que teve neste país inusitado para intercambistas.

Apesar de muito jovem e sem nenhuma experiência só em outros países, Rafa disse que não foi difícil convencer os pais da viagem. “Meus pais sempre me incentivaram a estudar e sabiam que meu sonho era fazer um intercâmbio. Óbvio que ficaram surpresos quando disse que seria para a África do Sul, porém, graças a Deus, deu tudo certo”, disse.

Além da confiança dos pais, Rafa disse que eles ficaram mais seguros, pois ela escolheu uma agência de renome na cidade para cuidar do intercâmio, a Experience World. “Inclusive gostaria de agradecer a Marilídia, a Lara e toda equipe que me deram todo suporte e apoio, bem como tranquilizaram meus pais sobre a viagem”, destacou a jovem.

CULTURA E CONTRASTES

Rafa afirmou que o principal objetivo do intercâmbio, que durou três semanas, foi aprofundar os estudos no Inglês. “Fiquei em Cape Town, capital do país. Frequentei uma escola excelente e, além disso, aprendi outras formas de dialetos em Inglês, já que a família que me acolheu tinha um jeito muito peculiar de se comunicar. Aliás, em cada canto da África do Sul o Inglês muda muito e isso foi enriquecedor para mim”.

Rafa junto à sua professora e o certificado do curso de Inglês

Entretanto, a adolescente teve que ‘aprender a se virar sozinha’ em um país de costumes muito diferentes do Brasil. “Sofri muito os três primeiros dias. Não conseguia me comunicar direito, mas fui tão bem acolhida por aquela família, que era muçulmana, que até minha impressão por aquele povo mudou. Eu achava que os muçulmanos eram fechados e até briguentos, visto algumas guerras que estão envolvidos mundo afora, mas o que vi foi um povo feliz, que gostava de conversar, prestativo e com muito respeito à sua religiosidade e costumes”, afirmou.

Apesar disso, Rafa também viu os contrastes da África do Sul. “Lá quem é rico é muito rico mesmo, vive em mansões, palacetes… Já quem é pobre é muito pobre. As favelas de lá nem se comparam com as comunidades brasileiras. O contraste social é muito grande”.

Passeio pelo bairro de Bo-Kaap, o mais antigo de Cape Town e formado por muçulmanos

TRABALHO VOLUNTÁRIO: APRENDIZADO PARA A VIDA

Durante o intercâmbio, Rafa teve a oportunidade de passar um dia em uma comunidade formada por inúmeras famílias e assistida por uma instituição beneficente. “Passamos o dia promovendo atividades com as crianças. Elas eram tão carentes de um abraço, um sorriso, uma brincadeira, que logo se apegaram. Brincamos o dia todo. Como foi bom ver as gargalhadas, o aperto de mãos e o carinho delas conosco”, contou.

Sobre o que mais aprendeu com o trabalho voluntário, Rafa foi enfática. “Acho que reclamamos de barriga cheia. Muitas pessoas têm muito menos que nós… Às vezes não nos damos conta da maior riqueza que temos: nossa família, nossos pais, nossos filhos… muitos nem isso têm”.

Questionada sobre os três principais aprendizados no intercâmbio, Rafa disse que primeiramente aprendeu a respeitar as diferentes culturas; o respeito ao próximo, principalmente cultivado entre os muçulmanos e também a economizar água. “O país enfrentou uma grande crise hídrica e aprendeu a economizar sua água. Os banhos lá eram muito curtos. Água para eles é tudo, é vida. Acho que deveríamos seguir o mesmo exemplo por aqui”.

Trabalho voluntário com crianças: “reclamamos de barriga cheia”

UMA SAUDADE DO BRASIL E UMA SAUDADE DA ÁFRICA

Rafa confessou que, além da família, sentiu muita saudade da comida brasileira, principalmente arroz, feijão e churrasco. “Lá a culinária é a base de muitos temperos, inclusive pimenta, e também frango. Quando cheguei ao Brasil a primeira coisa que pedi à minha mãe foi carne com arroz e feijão”.

Porém, um prato doce da culinária africana também fisgou nossa intercambista. “Morro de saudade de um bolinho, com açúcar e côco, que comíamos praticamente todas as manhãs. Vou pedir a receita à minha ‘mãe’ africana, pois era muito bom”.

E já que o assunto é comida, Rafa disse que na África do Sul a maioria das pessoas comem com as mãos. “É meio estranho ver as pessoas pegando os alimentos e comendo com as mãos, mas depois acostuma. Faz parte da cultura deles. Mas, na casa onde fiquei, eu comia com talheres. A família já recebe intercambistas há anos e também já se adaptou aos nossos costumes”.

Junto com sua família sul-africana: respeito aos costumes

FUTURA PROMOTORA NA ALEMANHA

Rafa pretende fazer mais alguns intercâmbios e um deles ela quer que seja para a Alemanha. “Quero muito estudar lá e me formar Advogada. Sonho em ser Promotora na Alemanha”,disse a jovem estudante.

A mãe, Milena Braga Rosolem, disse que apoia a escolha da filha. “Ela sempre poderá contar com a família para qualquer que seja a sua decisão. Confiamos muito na Rafa e sabemos que esse intercâmbio a amadureceu muito, principalmente porque teve que aprender a tomar decisões sozinha. Se um dia ela quiser realmente estudar fora, sem dúvida, irá”, finalizou Milena.

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