Direito: A rotina cansativa e prazerosa de uma das profissões mais tradicionais no Brasil

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Márcio Domingos Rioli, advogado há 24 anos, falou sobre sua paixão em advogar, justiça no país e do orgulho em ver o filho seguindo a mesma carreira profissional

No último 11 de agosto foi comemorado o Dia do Advogado. E para quem imagina que este profissional é aquela pessoa que, via de regra, está sempre muito bem apresentável e só vai livrar criminosos da prisão, se engana. A rotina de advogar é, muitas vezes, cansativa, exige estudos constantes e o dom especial das palavras, pois lida diretamente com o ser humano, principalmente em momentos difíceis de sua vida.

Em alusão à data, cuja profissão ainda é uma das mais procuradas e seguidas no país, nossa reportagem especial contará um pouco da história profissional de Márcio Domingos Rioli, um dos advogados mais conhecidos e bem relacionados da cidade, inclusive pela atuação em júris que marcaram história no município.

Durante a entrevista, Rioli contou sobre seu corrido dia-a-dia de trabalho, a justiça no Brasil, enfatizou a importância de se aprimorar por meio dos estudos para um desempenho cada vez melhor na carreira e, claro, do orgulho de o filho, Márcio, aos 18 anos, ter optado pela mesma profissão. Confira a reportagem completa abaixo.

Natália Tiezzi Manetta: Márcio, de onde surgiu a vontade de se tornar advogado?

Márcio Domingos Rioli: Desde a época da escola eu gostava de tomar partido e falar pela turma. Naquela época, situações de injustiça já me incomodavam. Além de ter essa, digamos, ‘predispoção’ ao Direito, sempre pude contar com meus pais, que me apoioaram desde o dia que souberam da minha decisão por essa carreira.

Onde e quando você se formou? Assim como em outras áreas, o seu começo na profissão também foi difícil?

Cursei Direito na Unifenas e me formei na Turma de 1994, portanto há 24 anos. Desde o primeiro ano da faculdade já comecei a trabalhar no Fórum de Alfenas e isso me ajudou muito. Comecei a advogar em 1996, prestei alguns concursos, mas acredito que meu destino era mesmo o escritório (risos). E um dos maiores incentivadores para que isso acontecesse foi o saudoso José Eduardo Bastos. Mesmo já atuando na área desde o início do curso, o começo, claro, foi difícil. Advogava em uma sala na casa de meus pais.

Qual a sua maior paixão no Direito?

Desde os tempos acadêmicos, minha preferência sempre foi o Direito Penal e minha paixão acabou se tornando o júri. Entretanto, era muito difícil conseguir júris aqui em São José. Lembro-me que, ainda em 1996, procurei o então Juiz de Direito que atuava aqui para saber se havia algum. Para minha surpresa havia e foi o primeiro dos 22 júris que já fiz ao longo da carreira. Alguns, inclusive, me marcaram muito, mas sempre de maneira positiva, tanto para mim como profissional, quanto para meus clientes.

E o que é ser advogado?

Acredito que o advogado é aquele profissional que, primeiramente, vai ouvir seu cliente. Aqui no escritório, por exemplo, fico horas ouvindo as pessoas que me procuram, sempre com muita paciência e respeito. Além disso, o advogado precisa orientar muito bem seu cliente sobre todo o processo que irá enfrentar, independente do problema. A orientação do advogado é fundamental para o êxito ou não do processo, sendo ele um meio para que seja definido o destino de uma pessoa. Portanto, o advogado terá sempre que conhecer, estudar, se dedicar ao máximo para que, sendo este meio, o fim do processo seja o mais justo e brando possível para os envolvidos.

O que é preciso para se tornar um profisisonal de sucesso?

Conhecimento, inclusive das prerrogativas do próprio advogado. O Direito é uma carreira muito dinâmica e complexa e exige estudos constantes, aprimoramento dos conhecimentos a aprofundamento das inúmeras novidades que surgem vez por outra, como mudanças e adaptações nas Leis, etc. Resumindo: o êxito profissional do advogado será sempre relativo ao conhecimento e à sua dedicação aos estudos. Eu mesmo já estou pensando em fazer mais um curso, além daqueles que já possuo, sendo duas Pós Graduações em Direito Público e Processos.

Além do escritório, você já atuou em outras frentes de trabalho?

Sim. Ministrei aulas de Direito Penal e Direito Processual e Penal no curso de Direito na Unifeob, em São João da Boa Vista; fui Procurador Jurídico por 16 anos na Câmara Municipal, além de assessorar também a Câmara Municipal de Mococa, entre outros trabalhos pela região.

Por falar em atuação, como anda a da Justiça brasileira?

A Justiça Brasileira está parada. São mais de 120 milhões de processos, a nível estadual e federal, aguardando um desfecho. A boa notícia é que, atualmente, os advogados estão buscando outros caminhos que não cheguem ao processo, ao qual chamamos de litigar. As próprias leis estão dando ênfase aos acordos justamente para ‘desafogar’ o Judiciário. Porém, ainda notamos que as faculdades de Direito ensinam a processar, não a compor o Direito sem o processo. E isso é cultural. Espero que, um dia, essa forma de ensino se adeque mais à realidade da Justiça brasileira.

O que é o melhor e o que é o pior na profissão?

O melhor é a realização da Justiça em si, é um prêmio final. Sem artimanhas. É a justiça sendo promovida de forma plena. O pior são as mazelas do ser humano, pois existem muitos erros e decisões equivocadas, inclusive no Judiciário, todavia os juízes de 1ª Instância têm feito um bom trabalho Brasil afora.

Há algum processo que o tenha marcado nestes mais de 20 anos como advogado?

Sim, acho que meu primeiro júri é inesquecível. Mas, uma história me marcou muito também, sendo um casal que estava em processo de divórcio, porém através de inúmeras ligações telefônicas entre mim e eles, além do cachorro, que se tornou o principal elo de ambos (uma vez que nenhum quis abrir mão do animal de estimação), optaram em permanecerem juntos. Saber que como advogado fui realmente um meio para que ambos tomassem a melhor decisão e evitassem a separação foi gratificante!

E como faz para aliviar a rotina, muitas vezes, desgastante de trabalho?

Há 10 anos pratico Hapkido e costumo dizer que é minha válvula de escape!

Para finalizar, vamos falar em família. Como se sentiu ao saber que seu filho também havia optado pelo Direito?

Nunca houve nenhum tipo de pressão ou preferência para que Márcio seguisse o mesmo caminho que o meu, mas confesso que fiquei e estou muito orgulhoso dele, não apenas por ter optado pelo Direito, mas pelo aluno que está se mostrando: dedicado e muito estudioso. Quem sabe um dia possamos trabalhar juntos aqui no escritório. Local já tem. Agora é só se dedicar e estudar sempre. O bom advogado será, para sempre, um estudante.

Márcio e o filho, em segundo plano: Momento de estudos registrados pelo pai orgulhoso – incentivo e exemplo
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