Dia Mundial da Síndrome de Down: APAE foi entidade pioneira no atendimento aos portadores na cidade

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Nesta quinta-feira, 21 de março é o Dia Internacional da Síndrome de Down e nosso site traz um pouquinho da história de uma entidade pioneira no atendimento aos portadores desta e de outras síndromes em São José do Rio Pardo, a APAE – Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais.  

Fundada em 1972 por um grupo de rio-pardenses comprometidos com essa causa tão nobre, inclusive muitos deles pais ou parentes de portadores de necessidades especiais, o que incluía a Síndrome de Down, a APAE passou por períodos muito críticos e inclusive teve suas atividades paralisadas por anos.

Até que na década de 90, a então presidente Zulmar Therezinha Rondinelli Rodrigues e o vice Antônio Carlos Jardim começaram a enxergar a entidade com os olhos do desenvolvimento e conseguiram, aos poucos, torna-la novamente uma referência no município.

“Uma das principais conquistas da gestão de ambos foi a construção da nova sede da APAE, inaugurada em 1997”, destacou a educadora Maria Helena Carrato Jardim, que está na entidade desde 2003 e atualmente está como diretora.

E também foi neste mesmo ano que a associação conseguiu autorização para funcionar como uma escola, outra grande conquista citada por Maria Helena durante entrevista ao site. “Assumimos um trabalho de desenvolvimento e reconhecimento do portador de necessidades especiais aqui na APAE através da prática da Pedagogia do Sujeito, onde enxergamos que o indivíduo, independente de suas limitações, é um cidadão que pertence à sociedade. Portanto, nosso trabalho é desenvolver suas habilidades, destacando sempre suas capacidades e, acima de tudo, acreditando em seus potenciais”, disse.

E nossa reportagem pode comprovar todas as palavras da diretora aplicadas na prática com os alunos nas mais diferentes atividades durante visita à escola. “Muita gente ainda acredita que o deficiente precisa ser inserido na sociedade, mas ele já pertence à mesma. Aqui nossos alunos aprendem regras fundamentais, aprendem o respeito mútuo, além das noções básicas de ensino, assim como em qualquer escola, obviamente que numa linguagem adaptada às necessidades de cada um”, observou.

Maria Helena Carrato Jardim junto aos artesanatos produzidos pelos alunos: 16 anos de dedicação à APAE

DO ENSINO FUNDAMENTAL ÀS OFICINAS E AO MERCADO DE TRABALHO

Atualmente, a APAE possui 72 alunos portadores de múltiplas Síndromes e dispõe de uma equipe de nove professores, cinco colaboradores, além de psicólogo, nutricionista, fisioterapeuta, assistente social, fonoaudiólogo, bem como de graduandos do curso de Fisioterapia da UNIP que, em parceria com a entidade, desenvolvem atividades direcionadas com os alunos.

A escola funciona das 7h00 às 16h30, com aulas no período da manhã e à tarde. “Nossa aluna mais experiente tem 60 anos e nossos mais novinhos tem dois, três aninhos. Para os alunos que estudam de manhã são oferecidos café da manhã e almoço; já para os que estudam no vespertino é oferecido um lanche. Durante a semana eles participam das mais variadas atividades. Eles aprenderam a se sentir conhecidos e reconhecidos na sociedade indo até a mesma por meio de nossas oficinas”, comentou Maria Helena.

Além das aulas correspondentes ao Ensino Fundamental, os alunos participam das oficinas de Horta, Reciclagem, Artesanato e Cozinha-Escola. “Na horta, por exemplo, eles ajudam a plantar, cuidar e colher os alimentos. Depois disso, saem pelos bairros, sempre com monitoramento, para venderem o que colheram. Assim aprendem a ter noções financeiras, mexer com o dinheiro e o mais importante de tudo: se mostrarem à sociedade como pessoas capazes, úteis, que existem e estão ali para colaborar com todos”.

Os alunos também recolhem os recicláveis nas residências onde comercializam as verduras. “E ajudam a separa-los. Eles se sentem ativos, importantes, úteis perante à população”.

O mesmo acontece com a Cozinha-Escola, onde os alunos aprendem a fazer pães, bolachas, roscas e demais alimentos, sendo que depois da produção entregam as encomendas, geralmente feitas pelos moradores dos bairros adjacentes a escola. “Nessa oficina eles aprendem a manusear os alimentos, higiene com os mesmos e a usar inúmeros objetos”.

Já na oficina de Artes eles dão asas à imaginação e produzem uma infinidade de artesanatos, que, além de aflorar a criatividade, contribuem para o desenvolvimento motor, muito comprometido em alguns alunos.

Há ainda a computação, que faz parte da rotina dos alunos, com conexão dos mesmos às mídias digitais e conteúdos específicos para formação profissional. “Todas as nossas oficinas e atividades também são voltadas à essa formação dos alunos ao mercado de trabalho. Muitos já foram encaminhados para supermercados, por exemplo, e desempenham muito bem suas funções”.

O civismo se faz presente com o canto do hino nacional, da cidade e a participação em desfiles, apresentações, sempre com o objetivo de uma convivência saudável em sociedade.

A escola oferece ainda a hidroterapia, a educação física e o acompanhamento psicológico e assistencial não apenas direcionado aos alunos, mas também às famílias durante reuniões periódicas. “Não é fácil manter a APAE. Temos conhecimento de nossas dificuldades e limitações, entretanto sempre buscamos oferecer o melhor aos nossos alunos, pois são eles que nos dão força e coragem para continuar, sempre. É gratificante ver que todos, independente de suas necessidades especiais, possuem talentos variados. O excepcional precisa ser ouvido, precisa ser reconhecido na sociedade como um cidadão, o qual sempre foi e sempre será”, concluiu Maria Helena.

Se você quiser conhecer um pouco mais do trabalho desenvolvido pela APAE, a entidade está sempre de portas abertas para receber visitantes. O endereço é rua Dr. Cândido Miranda de Noronha, 107, bairro João de Oliveira Machado.

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