Dia do Advogado: A visão humanizada do universitário Márcio Augusto Gervásio Rioli sobre o Direito

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Mesmo muito jovem, aos 19 anos, ele disse que espera fazer da profissão muito mais que um caminho para resolver conflitos e problemas, mas, talvez, até ‘resgatar’ vidas, inclusive do trágico mundo do crime

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Neste 11 de agosto, Dia do Advogado, a homenagem do www.minhasaojose.com.br a todos os profissionais será por meio de um jovem estudante de Direito que, apesar da pouca idade, já se mostra comprometido com a profissão que, na opinião dele, vai muito além da busca pela justiça na resolução de problemas e conflitos, mas que pode contribuir com a comunidade, sempre possibilitando beneficiar os menos favorecidos, sendo suas vozes perante à sociedade, e até mesmo ponte para resgatar vidas, a exemplo daquelas marcadas pelo mundo do crime.

Márcio Augusto Gervásio Rioli tem 19 anos e cursa o 2º ano de Direito na Pontifícia Universidade Católica, campus Poços de Caldas (PUC/MG). A visão humanizada do jovem universitário à profissão se deu por meio de muitos exemplos vindos do pai, Dr. Márcio Domingos Rioli, e do tio, Dr. Marcos Tadeu Rioli, ambos profissionais exemplares e respeitados no Direito na cidade e região.

Ao longo da entrevista, ele destacou que mesmo pertencendo a uma família que tem tradição na advocacia não teme comparações e que as carreiras do pai e do tio o influenciam de forma positiva. “Quando você se dedica, se prepara para ser um bom profissional, as portas se abrem às oportunidades e o reconhecimento chega sem que haja comparações, destacou.

O universitário ainda não decidiu sobre qual área do Direito atuará, embora já tenha certeza de uma coisa: quer ensinar tudo o que está aprendendo e aprenderá ao longo da carreira que ora já se inicia, uma vez que ele está aproveitando o período de quarentena para fazer um estágio no escritório do pai.

O pensamento e essa percepção mais humanitária que Márcio Augusto tem e afirmou que pretende desempenhar na profissão representa boa parte dessa nova geração de advogados, promotores e juízes, desmistificando aquela máxima equivocada que ‘o profissional do Direito serve apenas para defender bandido, marginal’. E chega para ser um alento à sociedade que está um pouco desacreditada do Poder Judiciário, visto tantos ‘equívocos’ do mesmo nos últimos tempos.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Natália Tiezzi: Márcio Augusto, você pensou em outras carreiras ou o Direito sempre foi sua opção?

Márcio Augusto Gervásio Rioli: Desde pequeno eu dizia que cursaria Direito. Mas, quando estava no 3º ano do Ensino Médio pensei em fazer Educação Física! Até mesmo Medicina Veterinária chegou a ser uma opção e prestei esses vestibulares, mas o Direito prevaleceu. Passei no vestibular na UNIFENAS, em Alfenas, onde fiz o 1º ano do curso e neste ano transferi para a PUC/MG, em Poços de Caldas.

Você teve a influência da sua família para optar pelo Direito?

Impossível dizer que não fui influenciado pelo meu pai e pelo meu tio, mas não de uma forma negativa, muito pelo contrário. Eu cresci neste meio jurídico ouvindo ambos contarem sobre as causas que tratavam. E o que me fez mesmo optar pelo Direito foi a forma como ambos conduziam casos que envolviam clientes com baixas condições sociais, muitos deles que nem poderiam remunera-los pelo trabalho, mas que tanto meu pai quanto meu tio faziam questão de auxiliar. Enxerguei nestas ações de ambos o Direito como um propiciador de coisas boas, uma ponte para se fazer o bem. Uma carreira que não é ‘defender bandidos’ como muitos ainda pensam, mas que precisa sempre enxergar e desempenhar esse lado social e humanizado.

E qual foi a reação de seus pais quando você disse que optaria pela advocacia?

Sobre meu pai acho que nem preciso falar – ele ficou extasiado, embora nunca tenha me forçado à essa profissão. Minha mãe também apoiou a minha escolha, aliás, ela é meu maior exemplo de mulher, inclusive já me ajudou muito em questões escolares, pois é uma excelente professora. Ambos me deram a maior força e apoio possíveis.

Apesar de estar apenas no 2º, dos cinco anos totais do curso, você já sabe qual área seguirá?

Ainda não me decidi, mas agora que estou tendo essa possibilidade de estágio aqui no escritório e pelas matérias que já tive na faculdade me interesso pelas áreas Criminal, Civil e Direito Constitucional.

Já pensou na possibilidade de seguir a área acadêmica?

Sim, inclusive gosto muito de ensinar. Descobri isso nos esportes, mais precisamente na prática de Hapkido, onde, por algumas vezes, pude ministrar aulas. A partir daí surgiu essa vontade de ensinar as pessoas. Prestar um concurso também faz parte dos planos, enfim, são inúmeras possibilidades e tenho certeza que mais para frente saberei escolher o melhor caminho.

Você acredita que a história familiar no Direito possa ajuda-lo na carreira?

Sim. Acredito que pela carreira ímpar que meu pai construiu ao longo de décadas e ainda está construindo, bem como meu tio, serão grandes exemplos para mim, aliás, eles são meus melhores exemplos na carreira. As experiências profissionais de ambos, os pontos positivos e negativos, o que deu certo e o que deu errado são lições que aprendi e aprenderei sempre com eles.

Nestes dois anos de curso, você já teve algum momento marcante na faculdade?

Sim, na verdade dois. Ambos aconteceram no 1º ano de curso, onde passei em uma prova muito concorrida na UNIFENAS para ser monitor. Recordo-me que estudei muito para passar, inclusive nas férias, pois era apenas uma vaga. Graças a Deus obtive êxito e atuei na monitoria, que auxiliava estudantes a sanar inúmeras dúvidas, durante seis meses. Além dessa também passei em mais três monitorias, mas infelizmente não consegui conciliar com os horários da faculdade e não pude atuar. Outro fato que me marcou muito foi a apresentação de um artigo científico, intitulado “O princípio da presunção da inocência e a constitucionalidade da prisão antes do trânsito em julgado”.

E acha que quando sair da faculdade haverá muita diferença entre a teoria e a prática no mercado de trabalho?

Muita gente diz que a faculdade é um período de ideologias, mas acho que a ideologia limita o ser humano. Acredito que na faculdade temos que avaliar ideias e não pessoas. Tenho o privilégio de ter professores com essa visão menos ideológica e que realmente abrem portas para que cada aluno possa pensar, sem imposições ou cerceamentos, inclusive nas próprias leituras e autores. No mercado de trabalho é buscar sempre o equilíbrio, o bom senso, os bons exemplos e atuar de forma transparente, sempre.

O que seu pai representa a você no Direito?

Meu pai é minha maior inspiração, meu maior exemplo na carreira. Quem dera um dia ser a metade do que ele é, participar de casos difíceis e obter êxito, sempre com uma conduta impecável.

O que é ser um bom advogado?

Acredito que o bom advogado é aquele que enxerga o ser humano além de apenas um cliente. Que o vê e o trata como um amigo, já que o advogado também tem essa missão de ouvir e dialogar em busca de um bom resultado, inclusive podendo ter participação ativa na recuperação de uma pessoa, no caso de resgatar vidas do crime, por exemplo, e eu acredito muito nessa relação positiva com os clientes. Além disso, o bom advogado deve tentar resolver conflitos da área civil sem a necessidade de recorrer às vias judiciais, otimizando os trabalhos e amenizando os problemas para todas as partes, principalmente para o cliente em si.

Para finalizar, como você pretende se sobressair na profissão?

Sou uma pessoa que se cobra muito e quero evoluir sempre, inclusive na área profissional. Acredito que se sobressair no Direito é sempre exerce-lo de forma ética e honesta.

ORGULHO PARA OS PAIS

Os pais de Márcio Augusto também o homenagearam neste dia especial. Abaixo, o depoimento de ambos.

“Filhos crescem tão rápido para o coração das mães… Eis que Márcio levantou voo. Já está na faculdade… Foi um bom menino. Nos estudos, atravessou todas as fases com ótimo aproveitamento, responsável que é. Gosta de esportes, no que se sobressai pela constância, disciplina e dedicação. Ama ler. Neste período de pandemia chegou a ler um livro por dia. Como pessoa, é amoroso comigo e com o irmão. Nestes tempos em que ‘percepção’ anda em baixa, ele surpreende, demonstrando maturidade e sensibilidade: ‘enxerga o outro’. Difícil mãe falar de filho. Me perdoem, não consigo ser modesta: é lindo por dentro e por fora. Que dizer a ele quanto à carreira que escolheu? Julgar, acusar, defender pessoas e patrimônio. Três caminhos se apresentam: ser Juiz, Promotor, Advogado, além de outras possibilidades que se abrem com o curso de Advocacia. Seja o que ele preferir, rezo para que receba as luzes de Deus e faça o melhor, engrandecendo a Justiça, realizando-se como ser humano. Um abraço carinhoso de sua mãe, orgulhosa do filho”, Ana Teresa Gervásio.
“O Márcio Augusto sempre foi um filho exemplar. Fiel, atencioso, educado e estudioso. É esportista também, faixa preta de Hapkido. Cursar a faculdade de Direito me deixa envaidecido, embora nunca o tenha pressionado. Ainda é cedo para saber se vai trabalhar como advogado ou prestar concurso público, mas peço a Deus que seja feliz e realizado pessoal e profissionalmente qualquer que seja o caminho escolhido e que mantenha o estudo e o respeito ao ser humano, sempre. Tem aproveitado o período de suspensão de aulas presenciais para trabalhar no meu escritório no período vespertino, pois de manhã tem aula on-line. Embora tenha uma leitura rica e diversificada, é tudo novo para ele no Direito, mas vejo isso como uma escalada, degrau por degrau, para o resto da vida, pois em cada fase temos novos desafios”, Márcio Domingos Rioli.

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