Dia da Escola: Nossa homenagem à E.E. “Dr. Cândido Rodrigues”

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Vista aérea da Escola Estadual Dr. Cândido Rodrigues. Registro de Alexandre Galego

Texto: Natália Tiezzi (ex-aluna da escola)

Hoje, terça-feira, 15 de março, é o Dia da Escola. O artigo abaixo é uma homenagem à E.E. “Dr. Cândido Rodrigues”, escola que fez parte de minha vida durante oito anos, entre a extinta 1ª e 8ª série do Ensino Fundamental.

Recordo-me do 1º dia de aula. Aquela escola enorme, com muitos alunos, centenas, me chamou a atenção. Era um mundo desconhecido, mas que eu estava curiosa e disposta a, digamos, “desbravar”. E a escola é mesmo nosso segundo lar. No “Candido” aprendi muito além do conteúdo didático: aprendi o valor da amizade, do companheirismo, do respeito ao próximo.

Lá foi o local onde fiz as melhores amizades, as quais ainda mantenho, algumas por mais de 30 anos! Lembro do grande pátio, com o banco enorme de alvenaria que cortava-o de fora a fora. Os ‘quadrados’ recortados que serviam exatamente para brincarmos de ‘quatro cantos’. As árvores que faziam sombra para os recreios no muro de fundo do Centro de Saúde e, claro, as amoreiras. Quantas camisetas de uniformes manchadas pelo magenta marcante dos doces frutos.

E a quadra? Quem não se lembra da antiga ‘muretinha’ que a cercava, onde muitos alunos andavam (e caíam, como eu caí)? Os jogos, campeonatos internos, a produção de súmulas (sim, até isso aprendíamos nas aulas de Educação Física) e, claro, o incentivo dos professores. Foi naquela quadra que aprendi a dar o saque ‘viagem’ e que estimulou ao vôlei, esporte que pratiquei por muitos anos.

Nas salas de aula do pomposo prédio, a lousa, o ventilador, que vez por outra queimava (risos), as cortinas que balançavam com os fortes ventos das chuvas que caíam, geralmente nos finais das tardes de verão e, confesso, me assustavam, principalmente quando se formavam aquelas nuvens negras à torre da Matriz, a qual podia ver de algumas salas onde estudei.

Naquelas salas não tive apenas professores, mas mestres de vida e para a vida. Profissionais que me marcaram pela sabedoria em ensinar, compreender, ouvir, silenciar, rir e chorar. Naquela época, bem diferente de hoje em dia, os alunos se levantam quando os professores adentravam a sala, não por obrigação, mas por civismo, por respeito, por compreenderem que eles, os mestres, eram as autoridades máximas naquela espaço.

E o que dizer da merenda? Comi muita na hora do recreio, numa época em que crianças que estudei tinham apenas essa refeição (isso, infelizmente, ainda é realidade). Alguns sabores marcaram-me como o macarrão com linguiça, sopa de feijão, mas nada se compara ao leite de soja quentinho, servido com bolacha “Maria” ou “Maizena” ou pão francês macio, até meio murcho, com margarina! Saíamos da escola 18h00 e aproveitávamos para saciar a fome com o lanchinho. Barriga cheia, bolsa nas costas, a turma ia feliz para casa, a pé mesmo, cortando as ruas do centro, bairros…

Quando era possível comprava o lanche no saudoso bar do Pedro e da Marlene, que ficava no pátio interno da escola. Duas pessoas maravilhosas. Um casal que é amigo até hoje. Os salgados preparados pela família também marcaram a infância e a adolescência de muitos alunos na “Cândido Rodrigues”, entre eles o ‘sapão’, feito com presunto, mussarela, orégano, que tem gosto de saudade!

Ainda no pátio, do lado de dentro do prédio, impossível esquecer da escadinha, cuja parte de cima se tornava palco para nossas apresentações escolares. Foi ali que recebi meu primeiro livro: a cartilha Caminho Suave, entregue pela professora Cordélia Barsotini…

E escola também era lugar de flerte, paquera. A primeira paixãozinha foi colega de classe. Os primeiros beijos, talvez, com os ‘meninos’ mais velhos do Colegial! Quantos namoros e até casamentos surgiram ali, no ambiente escolar?!

Naquele prédio também conquistei a primeira nota 10, fui pela primeira vez à Diretoria, assinei o ‘livro negro’, adentrei uma biblioteca, sonhei em meio aos livros e descobri o valor da escola para toda a minha vida!

As passagens acima foram citadas apenas para fazer você, ex-aluno, recordar um pouquinho da E.E. “Dr. Cândido Rodrigues”. Particularmente, sempre terei um carinho e um respeito muito grandes por essa escola, que minha saudosa avó também foi aluna de uma das primeiras turmas!

Que os alunos de hoje tenham tantas recordações boas quanto minha geração tem deste local que ensina, encanta, seduz, emociona e marca, que é a ESCOLA!

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