Celso ‘Pardal’ Foiadelli: Da Economia ao Direito – 34 anos de trabalho no Fórum

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O rio-pardense de 63 anos começou a trabalhar no Fórum em janeiro de 1988 e conquistou a admiração, respeito e muitos amigos – dentro e fora do ambiente de trabalho

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Ele pretendia fazer Medicina, trabalhou em setor de Farmácia, depois cursou Ciências Econômicas, prestou serviços em agência bancária, mas foi no Direito que, meio por acaso, se encontrou profissionalmente. Estamos falando de Antônio Celso Foiadelli, também e mais conhecido como ‘Pardal’, que no mês de janeiro completou 34 anos de bons trabalhos prestados junto ao Fórum Municipal. 

Durante entrevista ao www.minhasaojose.com.br, que também foi uma maneira de reconhecer e parabenizar o rio-pardense de 63 anos, casado e pai, pelas décadas de comprometimento e dedicação ao trabalho, Celso contou um pouco sobre sua carreira nas áreas em que atuou antes de chegar ao Fórum. 

Assim como muitos de sua geração, sua vida escolar foi em escola pública. “Estudei o Ensino fundamental na Escola Tarquínio Cobra Olyntho (antigamente grupo). Já o Ensino Médio foi na escola Jorge Luis Abichabki (antigo ginásio), sendo da 1ª turma de formandos e depois como comecei a trabalhar fui estudar no período noturno no Instituto de Educação Euclides da Cunha (aqui foram 3 anos de colégio). Antigamente era inicialmente no grupo, depois você ia para o ginásio e depois para o colégio”, contou. 

Celso começou a trabalhar aos 15 anos e nunca mais parou, inclusive com alguns anos dedicados ao trabalho fora de São José. Mas foi no Fórum que ele realmente se encontrou profissionalmente e constituiu carreira. “Comecei a trabalhar no Fórum em 04 de janeiro de 1988 e foi meio por acaso”, disse. 

Sobre os aprendizados nestes mais de 30 anos, Celso destacou a empatia, ou seja, o saber se colocar no lugar do outro. “Sempre me coloco no lugar da pessoa para poder explicar da melhor maneira possível, para que ela possa sair de lá (do Fórum), satisfeita com as informações recebidas. Isso é muito gratificante”, afirmou. 

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra. 

Com os colegas de trabalho do Bradesco, onde trabalhou por 4 anos na agência de São José e mais 5 anos na agência de Osasco

É verdade que antes de cursar Direito você se graduou em Economia? 

Antônio Celso Foiadelli: Sim. Me formei em Ciências Econômicas pela FAE, quando estava trabalhando no Bradesco aqui de São José e depois, quando já trabalhava no Fórum, fiz Direito na FEOB, ambas de São João da Boa Vista. Comecei a trabalhar com 15 anos na extinta Cooperativa Agrícola Mista Riopardense (setor de farmácia – por 5 anos aproximadamente); depois fui trabalhar no Bradesco (sendo 4 anos em São José e 5 anos na Inspetoria, na Cidade de Deus em Osasco). 

Por que escolheu o Direito realmente como profissão?  

Bem, foi por acaso. Inicialmente, como já mencionei, trabalhava em Farmácia e pretendia fazer Medicina. Depois quando já estava no Bradesco em Osasco, comecei a namorar a minha esposa e eu viajava todo final de semana e isso cansava bastante e já estava pensando na possibilidade de voltar para São José. Foi quando a parte dos processos dos Cartórios passaram para o Estado (nós falamos que oficializou os Cartórios) e foi aberto concurso público para preenchimento de vagas. Para São José tinha 8 vagas e eu fiquei em 6º lugar. E foi aí que entrei para o Poder Judiciário.    

Seu primeiro trabalho na área foi no Fórum? Em que ano começou a trabalhar por lá? 

Sim. Eu estou no mesmo setor desde que entrei no Fórum. No primeiro dia de trabalho o Dr. Luiz Vicente Pellegrini Porto (Juiz na época) me chamou no gabinete dele e como ele sabia que eu tinha feito a Faculdade de Ciências Econômicas e por ter trabalhado em banco, disse que me colocaria inicialmente no setor de Distribuição, pois lá também era, e é o local responsável pelos cálculos judiciais do Fórum (hoje em menor quantidade). E por lá fui ficando.  Comecei a trabalhar no Fórum em 04 de janeiro de 1988 e como mencionado anteriormente, foi por acaso. As peças se encaixaram e deu certo até hoje.

Nestes 34 anos de carreira, qual foi o momento mais importante dela?  

Acho que foi quando obtive o cargo de Chefe do setor, que ocorreu em 15 de abril de 1989. Apesar de estar exercendo as funções de um Chefe, o meu setor não tinha esse cargo disponível, pois existia somente uma Vara Judicial e a partir desta data, quando foi criada a 2ª Vara Judicial, aí alterou a estrutura do Fórum, onde foi criado o cargo de Chefe para o meu setor. Fiquei nele por mais de 16 anos e como já tinha todos os benefícios incorporados, abri mão do mesmo para que outro funcionário pudesse ocupa-lo, pois caso contrário, poderia estar nele até hoje.  

Qual foi o maior aprendizado na profissão em todos esses anos?  

É saber que quem procura o Fórum, não é pra se divertir e sim porque está precisando de algo que envolve a Justiça. Então temos que estar sempre dispostos a conversar, explicar, agir como psicólogo, orientador, porque são pessoas de todos os tipos de classes e que às vezes não entendem sobre o que ele está precisando. Sempre me coloco no lugar da pessoa para poder explicar da melhor maneira possível, para que ela possa sair de lá, satisfeita com as informações recebidas. Isso é muito gratificante.   

Neste registro, Antônio Celso junto aos amigos e colegas de trabalho do Fórum

Como é seu trabalho no Fórum? Qual seu cargo e, se puder, descreva um pouquinho sobre ele.  

Atualmente, isto é, desde março de 2020, quando do início da Pandemia comecei a trabalhar em home office, por determinação do Tribunal Justiça e praticamente todo serviço faço pela internet. Como já disse eu trabalho no Setor de Distribuição. O que é isso: antigamente, todos os processos que entravam no Fórum tinham que passar pelo meu setor, seja processo cível ou criminal. Fazíamos um protocolo e depois tinha que fazer os registros, numerando, fazendo capas (datilografadas) e encaminhar para o Cartório. Com o passar do tempo esse serviço foi modificando, chegando aos dias de hoje, com a informatização, esses processos os próprios advogados já fazem dos seus escritórios as devidas distribuições, onde os mesmos, dependendo do tipo de processo vão diretamente, para a 1ª ou 2ª Vara Judicial, ou para o setor de Infância e Juventude ou ainda para o Juizado Especial Cível, que é o famoso Pequenas Causas, bem como os Inquéritos Policiais, a própria Delegacia de Polícia já distribui automaticamente. Hoje no meu setor distribui-se mais Cartas Precatórias, processos vindos de outras Comarcas e também de outros Estados, bem como quando deve ser enviado algum processo ou Carta Precatória para outra Comarca ou para outro Estado. Desde que deixei a Chefia, ocupo o cargo de Escrevente Técnico Judiciário efetivo. No meu Setor, além do serviço já mencionado, expedimos Certidões para saber se a pessoa tem processos, tanto na área cível, quanto criminal, as quais são utilizadas para ingressar num trabalho, adquirir imóveis, prestar um concurso público, bem como para postular um cargo público (vereador, prefeito, deputado, etc.). Como já mencionado também, no meu Setor é onde elabora os cálculos judiciais, apesar que hoje, com a informatização do Tribunal de Justiça, alguns desses cálculos são efetuados pela própria Vara Judicial. Eu verifico a regularidade de Partilhas e Inventários, se os bens deixados pela pessoa falecida estão divididos de acordo com a Lei.  

Alguma vez cogitou sair de São José para trabalhar na área do Direito ou fez algum trabalho fora daqui?  

Depois que voltei para São José e entrei no Fórum, não cogitei nenhuma vez sair daqui, pois já em 1991 casei e constitui minha família por aqui e também a minha esposa já tinha o trabalho dela. Além do que gostamos de nossa cidade.  

Qual é o segredo para se manter por tanto tempo trabalhando num mesmo lugar?  

Só salientando que nos dois empregos que tive anteriormente ao de Funcionário Público, eu saí por livre e espontânea vontade, sempre procurando melhorar de vida. Antigamente para se conseguir um emprego era mais fácil, pois hoje com a informatização, a mão de obra diminuiu bastante. Só como exemplo quando trabalhei no Bradesco aqui em São José, tínhamos em torno de 50 funcionários, sendo que hoje deve ter no máximo uns 10. No meu caso, sou concursado, tenho estabilidade, sempre recebi o meu salário em dia e com o passar do tempo fui gostando do Direito e do serviço que fazia e faço até hoje. É uma área muito diversificada. Me sinto muito bem no ambiente do trabalho. Graças a Deus sempre me dei bem com todos os funcionários, incluindo Juízes e Promotores, motivo pelo qual não via necessidade de procurar outro serviço/emprego.   

Que conselhos deixaria para os mais jovens com relação à dedicação ao trabalho?  

Bom, tem aquele ditado que se conselho fosse bom, não se dava, vendia. Mas o que posso dizer é que procure sempre dar o melhor de você, tanto na parte burocrática, quanto em relação a atendimento de público, pois lidar com o ser humano é difícil. Procure se colocar no lugar da outra pessoa, sendo claro nas suas orientações. Trate as pessoas com honestidade, educação e cordialidade. Sempre que possível, procure se aperfeiçoar no que você faz, participando de cursos, treinamentos, efetuando leituras e tudo que envolva mais aprendizado. Seja comprometido com o que você faz.  

E para o futuro? O que pretende fazer profissionalmente após a aposentadoria?  

Apesar de já ter condições para aposentar, ou seja, tempo de serviço e idade, ainda continuo trabalhando e provavelmente se tudo correr bem, pretendo me aposentar no ano que vem. E, aposentando, pretendo descansar e não fazer mais nada oficialmente. Sem ter horário para me preocupar. Porém, por ser formado em Direito, poderei fazer alguma coisa voltada para a advocacia. 

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