Câncer do colo do útero: Dr. Herbert Andreghetto explica e tira dúvidas sobre a doença

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O ginecologista explicou que o principal fator de risco é o HPV – Papiloma Vírus Humano

Entrevista: Natália Tiezzi

Um dos tipos de câncer que mais acomete mulheres no Brasil, o câncer de colo do útero é destaque neste mês especial dedicado a elas. Para falar sobre o assunto, o www.minhasaojose.com.br entrevistou o ginecologista, que é credenciado da Operadora SAVISA, Dr. Herbert Braz Medeiros Andreghetto, que explicou as causas, as formas de prevenção e tirou dúvidas acerca da doença.

Confira a entrevista na íntegra, tire suas dúvidas e previna-se!

Dr. Herbert, o que é o câncer do colo do útero?

O câncer do colo do útero é uma doença maligna da porção do útero, que fica no fundo da vagina. É um problema de saúde pública mundial, sendo que a maioria dos casos ocorre nos países em desenvolvimento.

Ele pode ocorrer em qualquer idade ou há uma idade específica?

A incidência maior se dá entre 21 e 64 anos. É o 3º tipo de câncer mais comum na mulher brasileira. São 17 mil novos casos por ano no Brasil, responsável por 5 mil mortes de mulheres ao ano.

Quais são os fatores de risco?

O fator de risco principal é a infecção persistente pelo HPV (Papiloma Vírus Humano), vírus capaz de infectar a pele e as mucosas. Ele é o agente causal necessário para o desenvolvimento do câncer do colo do útero. São conhecidos cerca de 200 tipos de HPV, 40 infectam o trato genital feminino, dentre eles estão os de alto e baixo risco oncogênico.

Quais são os principais sintomas?

Pode não ter sintoma nenhum, mas a presença de verrugas genitais pode alertar a mulher a procurar o ginecologista. Com a evolução da doença pode surgir sangramento vaginal intermitente ou após relação sexual, sangramento pós menopausa, secreção vaginal anormal (corrimento) e dor abdominal associada a queixas urinárias ou intestinais, nos casos mais avançados.

Como é feito o diagnóstico?

A maioria das vezes pela presença de verrugas genitais e/ou pela alteração do resultado da Citologia Cérvico-Vaginal – Exame de Papanicolaou. Também podemos diagnosticar pela presença do DNA HPV no colo do útero (exame de captura híbrida).

As mulheres podem evitar esse tipo de câncer?

Sim, através do uso de preservativo durante as relações sexuais, redução do número de parceiros sexuais, uso da vacina contra o HPV, que já faz parte do calendário vacina de meninas entre 9 e 13 anos; futuramente a vacinação poderá ser estendida para os meninos, que são os vetores para a transmissão do HPV. Também é muito importante a consulta anual ao ginecologista, desde o início da vida sexual, onde é feito o rastreamento de diversas patologias femininas.

A partir de qual idade é recomendável o exame de Papanicolaou?

O Ministério da Saúde, através das “Diretrizes Para o Rastreamento do Câncer do Colo do Útero 2016” recomenda o exame citopatológico em mulheres assintomáticas após o início da vida sexual, com idade entre 25 e 64 anos, a cada 3 anos, após 2 exames anuais consecutivos normais. A SOGESP – Sociedade de Obstetrícia e Ginecologia do Estado de São Paulo – recomenda o rastreamento entre 21 e 64 anos, a cada 3 anos, após 2 resultados anuais consecutivos negativos. Porém, maioria dos ginecologistas realiza o exame de Papanicolaou de acordo com cada caso.

Qual a importância desse exame?

O Exame de Papanicolaou é muito importante para o rastreamento do câncer de colo uterino, pois a doença é silenciosa, com poucos sintomas, tem evolução lenta, podendo levar de 5 a 25 anos para aparecer após o contato com o HPV. Apesar de ter sensibilidade baixa (53%) nas lesões de alto grau, a colposcopia e biópsia dirigida auxiliam o ginecologista para o melhor tratamento.

Quais as formas de tratamento para o HPV e para o câncer do colo do útero?

As lesões verrucosas do trato genital, causadas pelo HPV, podem ser cauterizadas ou tratadas com cremes locais, devendo ter acompanhamento médico criterioso, pois elas podem regredir espontaneamente. O HPV geralmente leva até 2 anos para ser eliminado pelo sistema de defesa do organismo da mulher. Em 5 a 10% dos casos ele não é eliminado e então o câncer pode aparecer. Já o tratamento do câncer do colo do útero depende do estadiamento da doença, de qual o grau de comprometimento do local da doença: se restrito ao colo do útero ou se já se espalhou pelo resto do corpo. Feito o diagnóstico, com auxílio de colposcopia e biópsia, será indicada uma Conização do Colo (retirada de um cone do colo do útero) ou Histerectomia Ampliada (Wertheim-Meigs), que é a retirada ampla do útero, com complementação de quimioterapia e radioterapia. Em casos mais avançados, onde a cirurgia não tem mais indicação, o tratamento é feito somente com radioterapia abdominal e braquiterapia (radioterapia vaginal).

O câncer do colo do útero é curável?

Sim, é totalmente curável, dependendo do estágio. Quando o diagnóstico é precoce e a doença é inicial, as chances de cura chegam a 100%. O problema é que em nosso meio, apenas 20% dos casos são diagnosticados no estágio inicial (estádio I) e cerca de 80% dos casos são realizados em mulheres que não realizam o exame rotineiro e geralmente são casos mais avançados. Por isso, a prevenção é o melhor caminho para a vida saudável da mulher.

Para finalizar, como as mulheres podem se cuidar e se prevenir à doença?

O comparecimento anual da mulher ao ginecologista proporciona o rastreamento de diversas patologias femininas, dentre elas os cânceres mais comuns nas mulheres, em ordem de frequência: Mama, Colo Retal (intestino), Colo do Útero, Pulmão e Estômago. No Brasil, menos de 50% das mulheres frequentam o ginecologista para exames preventivos, enquanto que em países desenvolvidos elas são chamadas por carta ou mídias sociais para rastreamento, para realizarem o COTESTE: exames de Papanicolaou e Teste de DNA HPV a cada 5 anos.

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