Soraia Giovanelli: Ela superou o câncer e fez das dificuldades aprendizados para a vida?

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Quem olha para essa mulher de 50 anos, bem resolvida, uma empresária bem sucedida, sempre com um sorriso no rosto ou uma palavra amiga, nem imagina quantas dificuldades ela enfrentou para poder dizer: “superei a mim mesma e me admiro por isso”.

Hoje a nossa matéria especial de sábado é com Soraia Giovanelli Elias, ou simplesmente ‘Sô’ para os amigos. Ela é um grande exemplo de que, muitas vezes, coisas ruins acontecem na vida para fazer com que enxerguemos o outro lado, o da luz, da esperança, da fé e da transformação interior.

De família humilde, Soraia teve que começar a trabalhar ainda na adolescência, aos 15 anos. “Meu pai estava doente por causa da bebida e não se firmava nos trabalhos. Foi aí que decidi que tinha que ajudar a ele e minha mãe. Tentei um trabalho no antigo xerox que funcionava no prédio do Fórum, mas o Sérgio, que se tornou um grande amigo e que à época trabalhava no Cartório de Registro de Imóveis, me confundiu com outra moça e acabou contratando-a em meu lugar. Cheguei em casa chorando, pois precisava muito daquele trabalho”, lembrou.

Entretanto, ela foi contratada naquele mesmo dia justamente para trabalhar no Cartório, local onde ela passaria os próximos 30 anos de sua vida. “Queria a vaga no xerox, mas acabei conquistando uma vaga no Cartório, e ainda bem porque pouco tempo depois o xerox fechou – tudo é mesmo providencial nesta vida! Encerava chão, organizava tudo, resolvia assuntos bancários. Passei 10 anos ganhando muito pouco, mas para mim estava bom, pois conseguia ajudar minha família”, contou.

PERDAS E OBSTÁCULOS: EM BUSCA DO AUTOCONHECIMENTO

Soraia viu muita gente passando por aquele Cartório. E ali, em meio a papéis e tantos documentos, aguentou firme uma série de contratempos, a começar pela doença que acometeu sua mãe, no ano 2000. “Depois disso uma sucessão de coisas ruins aconteceram na minha vida. Em 2003 me separei, neste meio tempo tive um câncer na Tireóide. Em 2007, a doença reapareceu na minha mãe; já em 2013 perdi o emprego (aliás, perdi o chão). Em 2015 tive outro câncer, dessa vez de mama e, novamente, minha mãe foi acometida também pelo câncer, vindo a falecer em 2017”, explicou.

E como lidar com tudo isso? Como enxergar o lado positivo em meio a tantos momentos negativos? “A resposta estava dentro de mim, mas, é óbvio que busquei ajuda para o corpo e para a alma. Minha amiga e psicóloga Maria Lúcia Simas foi a pessoa que abriu minha mente para o novo, para um lado que desconhecia: o lado positivo da vida, mesmo em meio a tanta coisa ruim. Também contei com o apoio do Pró Vida, uma filosofia de auto-conhecimento que me fez amadurecer, a conhecer não apenas a minha dor, mas a dor do próximo”.

Soraia salientou que as terapias mostraram uma outra perspectiva e a força para seguir por este novo caminho veio através da fé e de Deus. “Às vezes você nem imagina a força que tem… Eu mesmo não imaginava o quão era forte. E tudo vem sempre Dele”.

DO DESESPERO À UMA NOVA OPORTUNIDADE

Entre todos os desafios enfrentados por Soraia, nem mesmo o câncer lhe deixou tão desesperada quanto à perda do trabalho no Cartório de Imóveis, cargo que ocupou por décadas. “Perdi meu chão. Não recebi um centavo de indenização… Estava sem emprego, sem salário e com duas filhas prestes a fazer o vestibular”.

Todavia, ao invés de se lamentar pelo ocorrido, Soraia fez o caminho inverso. “Eu não podia ficar ali chorando, me martirizando por uma coisa que não tive culpa. E, mais uma vez, a terapia me ajudou muito. Senão, realmente, eu teria pirado (risos). O autoconhecimento fez com que eu reagisse a tudo aquilo de uma maneira positiva: a busca por uma nova oportunidade profissional, uma nova vida mesmo. E foi exatamente isso que, graças a Deus, consegui”.

Após praticamente uma vida trabalhando no Cartório, Soraia teve a ideia de abrir uma imobiliária. “Era uma área ligada ao que eu já sabia fazer, mas não fiz nada sozinha. Contei com o apoio de meu cunhado, Luciano, e do Carlos Alberto, um grande amigo e irmão do Sérgio. Trabalhamos juntos no Cartório e saíamos todos juntos também! Formamos uma sociedade, mas depois de um ano o Luciano decidiu seguir outros caminhos e ficamos aqui Carlos Alberto e eu”.

Hoje, a Imobiliária Solucadi é uma das mais bem sucedidas na cidade. “E pensar que a empresa tem apenas seis anos no mercado. Quanta coisa já conquistamos, principalmente nossos clientes, que se tornaram amigos e a satisfação em realizar seus sonhos”, destacou a empresária, emocionada.

Além de corretora de imóveis, Soraia se formou em Direito e confessou que só foi cursar uma faculdade após a separação. “Ao menos para isso me serviu. Pude estudar e agrego esse conhecimento do Direito à imobiliária”.

Para o futuro, Soraia não quer muito, mas o suficiente para poder encaminhar as filhas. “Aprendi com a dor e o sofrimento que o importante é vivermos bem o hoje, o agora. E que pequenos gestos como um bom dia, um abraço, um estou aqui para te ouvir faz a diferença na vida de tanta gente neste mundo tão carente de bons e verdadeiros sentimentos. Quero e busco a paz todos os dias. Por fim, quero encaminhar minhas filhas, vê-las formadas em Medicina e Gastronomia, cursos que fazem em Ribeirão Preto, trabalhando e felizes”, declarou.

PEQUENOS GESTOS QUE FAZEM A DIFERENÇA

Quem passa pela Imobiliária Solucadi, à rua Treze de Maio, 338, se depara quase todos os dias com uma frase escrita na parede da entrada. São palavras escolhidas e escritas por Soraia que aliviam, que emocionam, que fazem pensar e refletir… Que dão ânimo e coragem.

Durante a entrevista ao site, ela contou várias histórias de pessoas que se identificaram com essas frases. “Todos os dias um rapaz para o carro e tira uma foto da frase. Certa vez um mendigo entrou aqui chorando porque aquelas palavras mexeram com sua vida. Fico imaginando quantas pessoas já pararam para ler e como uma coisa tão simples pode ajudar um ser humano. A mim não custa nada escreve-las… E como é bom saber que com esse gesto singelo estou fazendo a diferença positivamente na vida de alguém”, finalizou.

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