Ana Flávia Locatelli: Rio-Pardense é Nutricionista Oncológica no Instituto de Oncologia de Sorocaba

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Ela também desenvolve trabalho voluntário na Liga Sorocabana de Combate ao Câncer , além de atender em consultório particular

Entrevista e texto: Natália Tiezzi

Amigos internautas. Em sequência às matérias especiais do espaço “Cadê Você?”, que retrata histórias de rio-pardenses que obtiveram êxito em suas profissões fora de Rio Pardo, o www.minhasaojose.com.br conta, nesta semana, um pouquinho da carreira de Ana Flávia Locattelli.

Ela, que saiu da cidade natal aos 17 anos para fazer um estágio em Informática Industrial, acabou se apaixonando por outra área, onde fez carreira, a Nutrição.

Atualmente, Ana Flávia Flávia reside e trabalha em Sorocaba, mas antes de sair de São José estudou estudou na E.E. “Dr. Cândido Rodrigues e também na ‘Eletrô’ em Mococa, onde cursou o Ensino Médio e Curso Técnico.

Ao longo da entrevista, a rio-pardense, que é graduada em Nutrição pela UNESP de Botucatu e pós-graduada em Doenças Crônicas pela UNICAMP, falou sobre sua atuação na área de Nutrição Oncológica, inclusive que está em fase de obtenção do título de especialista pela Sociedade Brasileira, destacou momentos especiais de sua carreira e, claro, algumas saudades de São José do Rio Pardo, o que inclui o cheiro e o sabor da comida da mamãe e da vovó!

Ana Flávia também destacou o que é o melhor e o que o pior no trabalho com a Nutrição e seus planos para o futuro, que não descartam a possibilidade de voltar a residir e trabalhar em Rio Pardo ou na região.

Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Ana Flávia, com quantos anos você saiu de São José do Rio Pardo?

Ana Flávia Locatelli: Saí de São José com 17 anos e me mudei para Campinas para fazer estágio do curso técnico de informática industrial. Fiz o estágio por um ano, acabei mudando de ideia em relação à minha área de atuação e iniciei cursinho pré-vestibular.


Por que optou pela carreira na Nutrição? Foi por influência de algum familiar ou amigo?

Sempre me identifiquei com a área de biológicas, mas com 17 anos não me sentia preparada para decidir a profissão que ia seguir. Foi no período que fiz o cursinho pré-vestibular que escolhi a Nutrição. Confesso que ainda não tinha certeza absoluta, mas tive muita sorte, pois me apaixonei pela Nutrição já nos primeiros anos de graduação.

Primeiro trabalho: Ana Flávia junto à equipe de nutricionistas do ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo


Sua especialidade é a Nutrição Oncológica. Gostaria que contasse um pouquinho sobre a importância do profissional de Nutrição para os pacientes com câncer.

Tanto o tumor quanto o próprio tratamento oncológico (quimioterapia, radioterapia, cirurgia, etc) podem provocar prejuízos no estado nutricional e interferir negativamente no processo de cura ou de controle da doença. Além de piorar significativamente a qualidade de vida da pessoa. O nutricionista oncológico pode ajudar a prevenir ou corrigir uma desnutrição; favorecer a tolerância ao tratamento com estratégias que colaboram na redução de efeitos colaterais como náuseas, diarreia, alteração do paladar; melhorar a capacidade de reagir a uma infecção e de se recuperar após uma cirurgia; preservar ou melhorar a força e a massa muscular; orientar os alimentos seguros para serem consumidos durante cada fase do tratamento, inclusive na prevenção do câncer.


Qual foi seu primeiro trabalho na área de Nutrição? E qual é seu trabalho atualmente?

Meu primeiro trabalho foi em São Paulo no ICESP – Instituto do Câncer do Estado de São Paulo. Um hospital público  dedicado à assistência e à pesquisa onde atuei por 4 anos como nutricionista na internação clínica, cuidados paliativos e como membro da EMTN – equipe multidisciplinar de terapia nutricional. Hoje resido em Sorocaba/SP, trabalho no Instituto de Oncologia de Sorocaba como nutricionista responsável pelo acompanhamento nutricional de pacientes em tratamento ambulatorial e também sou nutricionista voluntária na Liga Sorocabana de Combate ao Câncer, uma ONG de assistência e informação a mulheres diagnosticadas com câncer de mama e ginecológico. Além disso também atendo meus pacientes em consultório particular.

A rio-pardense em entrevista ao SBT sobre a importância da alimentação durante o tratamento oncológico


O que é o melhor e o que é o pior em trabalhar com a Nutrição?

Na nutrição eu consigo combinar duas coisas que amo: pessoas e alimento. Acho lindo a diversidade de histórias, cultura, memória e referências que cada paciente me traz a partir da sua alimentação. Um dos grandes desafios da nutrição é lidar com o terrorismo nutricional. A população é bombardeada de dicas e conselhos de amigos, familiares, da mídia e infelizmente até por profissionais da saúde, que ditam regras alimentares muito radicais, que demonizam alguns alimentos e supervalorizam produtos. As pessoas não sabem mais o que comer, perdem a sua cultura alimentar e a boa relação com a comida. O ato de comer deixa de ser algo intuitivo e passa a ser rodeado de culpa e inseguranças.

Qual foi o momento mais especial de sua carreira?

Tenho quase 14 anos de formada, tive muitos momentos especiais. Promoção de emprego, convites para palestrar em congressos, títulos e oportunidades de crescimento. Mas para mim, o mais importante aconteceu logo após formada. Passei em primeiro lugar no aprimoramento profissional da UNICAMP na área de doenças crônicas, um programa de pós-graduação que conferia o título de especialista, mas também atuação prática de 40 horas semanais por 1 ano nos ambulatórios de Hipertensão, Diabetes, Doenças Renais, Doenças Pulmonares, Dislipidemias e Obesidade do Hospital de Clínicas da UNICAMP. Cheguei muito animada e no primeiro dia fui recebida com a notícia de que minha orientadora estava de licença e por causa disso eu ficaria no ambulatório de oncologia com outra orientadora. O meu programa não previa a área de oncologia, eu já sabia disso e foi um dos motivos da escolha. Na época eu tinha acabado de perder minha avó com câncer de mama, além disso me considerava incapaz de lidar com o sofrimento de outras pessoas. Foram meses muito difíceis, lembro de atender os pacientes e ir ao banheiro chorar. Porém eu não tive escolha, eu recebia uma bolsa de estudos para estar ali. Já havia desistido das outras oportunidades e tive que enfrentar. Aos poucos fui aprendendo a ter compaixão sem me machucar com a dor do outro. Além disso, me sentia muito útil, como não havia me sentido em nenhuma outra experiência na nutrição. Meses depois, quando a minha orientadora voltou, eu pedi para permanecer alguns dias da semana no ambulatório de oncologia clínica e cirúrgica e meu pedido foi atendido. Considero o momento mais especial, pois foi o que me direcionou para onde estou hoje. Na oncologia existe uma máxima de que não somos nós que escolhemos atuar na área e sim a oncologia que nos escolhe. Foi exatamente o que aconteceu comigo.

Algum paciente lhe marcou nestes anos de profissão? Se puder dividir essa história, fique à vontade!

Que difícil essa pergunta! Não consigo escolher uma história. Quando estamos diante de uma doença que ameaça a vida, cada pessoa reage de uma forma, mas quase todas tiram importantes lições de vida. Tenho muita sorte de viver parte de suas jornadas e aprender com eles. Ao invés de uma história quero compartilhar algumas dessas lições de vida:

– valorizar as coisas simples da vida;

– ter fé;

– perdoar e não guardar mágoas;

– gastar o seu dinheiro mais com experiências do que com coisas;

– cultivar hábitos saudáveis durante toda a vida e não esperar o melhor momento para começar;

– ter um emprego que permita ter tempo para cuidar de você e de sua família;

– aprender a fazer algo além da sua profissão.

Ana Flávia junto aos familiares: momentos únicos em São José do Rio Pardo

Vamos voltar a Rio Pardo! Qual é a sua maior saudade daqui?

Minha família, amigos e animais de estimação que já se foram.


Cite um cheiro, um sabor e um som que te lembrem São José.

Cheiro e sabor da comida da minha e mãe e da minha vó. Acredito que não um som, mas o silêncio. Moro em uma região movimentada e por vezes sinto falta da tranquilidade que é estar em São José.

Quais são seus planos profissionais para o futuro? Voltar a residir e trabalhar em Rio Pardo fazem parte deles?

Pretendo continuar minha carreira na nutrição oncológica, tenho muitos planos e boa parte deles é para me permitir conciliar uma vida profissional com a maternidade.Desde que meu marido e eu saímos da casa dos nossos pais, vivemos em muitas cidades e até outro país. Escolhemos Sorocaba para viver e construir nossa família, porém não descarto a possibilidade de voltar a morar em São José ou mesmo na nossa linda região.

Saudades da ‘terrinha’: Ana Flávia junto aos amigos de São José: Danilo Peixoto, Taline Libânio e Alexandre Agliussi
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