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Amor à Obstetrícia: Em 37 anos, Dr. Herbert Andreghetto já realizou cerca de 4.000 partos

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Ele contou detalhes da profissão, que escolheu ainda menino, para aliviar a dor do ser humano

Reportagem e texto: Natália Tiezzi

Trazer uma nova vida ao mundo. Sem dúvida, a Obstetrícia é uma das áreas da Medicina que mais emocionam e requerem cuidados especialíssimos, pois ampara duas vidas ao mesmo tempo: mãe e filho. Em homenagem a todos esses profissionais que doam suas vidas, sete dias por semana, 24 horas neste verdadeiro sacerdócio, nossa entrevista especial contará um pouco do amor, da devoção e da vocação de Herbert Braz Medeiros Andreghetto à Ginecologia e Obstetrícia.

Ele é um dos médicos mais respeitados e queridos da cidade, não apenas pelas mamães que já foram acompanhadas pelos seus cuidados durante a gravidez, mas por milhares de famílias e pessoas que admiram seus conhecimentos e dedicação à Medicina.

Apesar de não ter médicos em sua família, Herbert foi especialmente ‘acolhido’ por exemplos de profissionais da Medicina pela família da esposa, Marinice Franchi Teixeira Andreghetto. Inclusive, o médico afirmou que o dr. Antônio Teixeira Filho, seu sogro, é o seu grande mentor e exemplo profissional, assim como foi o saudoso Dr. Jacó Franchi.

Mas, a influencia para cursar Medicina veio da forma mais simples e, talvez, a mais complexa: “Se eu fosse médico poderia aliviar o sofrimento causado pelas dores em crianças e adultos”, disse. E o pensamento se tornou realidade há 37 anos, com milhares de atendimentos e partos realizados, inclusive participando de alguns que lhe marcaram para sempre. Quer saber quais foram? Confira, abaixo, a entrevista na íntegra.

Dr. Herbert, com quantos anos ingressou na faculdade e em que ano concluiu o curso? Onde fez Residência Médica?

Dr. Herbert Braz Medeiros Andreghetto: Fui aprovado em medicina aos 17 anos, e ingressei na Faculdade de Medicina de Jundiaí no ano de 1981, concluindo a faculdade em 1986, quando ingressei na residência médica em ginecologia e obstetrícia na Maternidade de Campinas, de 1987 até 1989.

O que o motivou a fazer Medicina e optar pela ginecologia/obstetrícia?

Quando era criança e precisava ir ao consultório do Dr. Teixeira, nosso médico de família, enquanto aguardava minha vez para ser atendido percebia que outras crianças e mesmo adultos aguardavam sua vez ao meu lado, também sofrendo com suas dores. Meu pensamento era que se eu fosse médico, poderia ajudar aquelas pessoas, aliviando seus sofrimentos, inclusive o meu. Durante meus estudos na Faculdade de Medicina, nas férias escolares, frequentava o Hospital São Vicente, acompanhando sempre o Dr. Teixeira, inclusive até mesmo participando de cirurgias ginecológicas, partos e cesarianas. No 4º ano da Faculdade iniciei meus plantões no Hospital e Maternidade Santa Rita, em Jundiaí. Durante o internato, 5º e 6º anos da faculdade, fui plantonista nas Maternidades do Imirim e da Vila Carrão, ambas em São Paulo. Fiz Residência Médica em Ginecologia e Obstetrícia na Maternidade de Campinas, pois cada parto que realizo, sinto a mão de Deus sobre a humanidade. O milagre da vida é realmente maravilhoso e emocionante!

Dr. Herbert junto ao sogro e mentor profissional, Dr. Teixeira, durante a realização de um parto/cesariana

O Dr. se lembra quando e onde foi sua primeira consulta e o seu primeiro parto?

Tanto a primeira consulta como o primeiro parto aconteceram no ano de 1984, ambos na Maternidade Santa Rita, em Jundiaí. Atendi uma paciente, grávida de seu quarto filho. Pude trazer seu bebê ao mundo, através de parto normal, às 6 horas da manhã.

Já sentiu medo em alguma situação na profissão?

Sim. Obstetras sempre têm uma responsabilidade muito grande em suas mãos, pois cuidam ao mesmo tempo de duas vidas! O medo é sempre da perda…

Sendo obstetra, o Dr. fez o parto de algum de seus 3 filhos? Aliás, sabe quantos partos fez até o momento?

Participei sim do nascimento de meus três meninos, que tiveram a honra de nascer nas mãos do avô, Dr. Teixeira, que é e sempre foi meu mestre e mentor… um dos melhores obstetras que conheço. Em meus 37 anos praticando Obstetrícia devo ter colocado no mundo em torno de 4 mil crianças.

Sem citar nomes, conte um fato que o tenha marcado na Medicina.

Em 2003, acompanhei meu pai durante uma cirurgia cardíaca, para colocação de pontes de safena e mamária. Peito aberto, coração parado, circulação extracorpórea, senti nitidamente a presença de Deus quando o médico cirurgião deu o primeiro estímulo para o coração de meu pai voltar a bater… foi um momento muito tenso e emocionante. Por mais tempo que passe, nunca me esquecerei dessa cena.

O que é o melhor e o que é o pior na Medicina?

O melhor é a VIDA. E o pior é a perda dela.

Depois de tantos partos, o Dr. ainda se emociona ao trazer um bebê ao mundo?

Sempre me emociono e me sinto realizado com cada bebê que ajudo a trazer para a vida de um casal. Um parto é sempre uma alegria para mim.

Ao lado da esposa Marinice: “Ela sempre foi minha companheira e apoiadora. Sem ela não conseguiria ter criado tão bem nossos três meninos”, disse o médico

O que significa trabalhar tão próximo ao Dr. Teixeira, ao Dr. Roberto, seu filho, nora, enfim, cercado por estes profissionais?

Sou o único médico de minha família, tanto do lado materno como do paterno. Porém, quando entrei para a família de minha mulher Marinice, tive o prazer de conhecer e conviver com o Dr. Jacó Franchi, avô dela. Sempre o admirei muito, tanto pela sua história de vida, mas principalmente pela valentia em cursar Medicina nos anos 1928 e conseguir exercê-la brilhantemente sem recursos, numa pequena comunidade chamada Sapecado. Meu sogro, Dr. Teixeira, por quem sempre tive muita admiração desde a infância, como disse o considero mestre e mentor. Depois de mim, veio mais um médico para nossa família: o Beto, meu cunhado, que considero um médico brilhante… um cientista! Nossas conversas acabaram estimulando dois de nossos filhos a seguirem a medicina: o Roberto, que também escolheu a ginecologia e obstetrícia, e o Herbert, que é radiologista. Roberto casou-se com a Letícia, que é pediatra e neonatologista, aumentando nossa família médica. Trabalhar com todos eles é uma troca de conhecimentos, compartilhamento de pacientes e um engrandecimento contínuo de nossos relacionamentos. Entretanto, como a Medicina está bastante ligada à tecnologia, o consultor familiar e orientador é nosso terceiro filho, Mauro, que desempenha essa função com uma inteligência e dedicação ímpares. Vivemos a medicina e a tecnologia em família.

Sabemos que vida de médico não é fácil! O que o Dr. teria a dizer sobre aMarinice? Ela sempre compreendeu sua profissão?

Marinice sempre me apoiou e estimulou desde a fase pré vestibular. Ela sempre soube o que é a vida de um médico, pois conviveu com o avô e pai médicos a vida toda. Já sabia que não seria fácil, principalmente pela minha especialidade que não tem hora marcada. Ela sempre foi minha companheira e apoiadora. Sem ela não conseguiria ter criado tão bem nossos três meninos.

Para finalizar, no último 12 de abril foi o Dia do Obstetra. Gostaria que o Dr. deixasse uma mensagem a todos esses profissionais.

A obstétrica, apesar de seu uma das profissões mais antigas do mundo, a cada dia nos apresenta novidades e surpresas. A ciência, cada vez mais avançada nos métodos diagnósticos, nos permite através da ultrassonografia, exame morfológico do feto, ultrassom 4D, Doppler para avaliação da vitalidade fetal desvendar os mistérios da gravidez e sua evolução. O obstetra precisa investir no conhecimento, estudos e habilitar-se, para cada vez mais, prestar uma excelente assistência à gestante e seu bebê! Quero parabenizar a todos nós, obstetras, que nos dedicamos 24 horas por dia, 7 dias por semana para realizar o grande sonho de toda mulher: ter um bebê saudável em seus braços.

Medicina em família: da esquerda para a direita: Dr. Teixeira, Dr. Herbert, Dr. Beto, Dr. Roberto e Dr. Herbert
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